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17 de março de 2011

Renascer para a própria vida

Texto • Thays Prado
em http://bonsfluidos.abril.com.br/edicoes/0144/autoconhecimento/renascer-propria-vida-620468.shtml

Desde muito cedo aprendemos que as opiniões dos outros são mais importantes do que nossa própria experiência. Caiu? Não, não doeu, diz o adulto. O amigo lhe roubou a bola? Ora, você precisa aprender a dividir. Está triste? Homem não chora. Está com raiva e quer gritar? Menina educada não faz isso. Quase ninguém escapa dos velhos clichês que vão moldando a vida de cada um de nós. Pais, professores, livros didáticos, líderes religiosos, programas de TV estão sempre a nos dizer o que devemos ou não sentir, fazer, viver e assim por diante. Dessa maneira, passamos a classificar o mundo em duas categorias: o certo e o errado.

E daí não é difícil chegar à conclusão de que, infelizmente, uma porção de coisas precisa ser deixada debaixo do tapete, se quisermos realmente ser aceitos socialmente. E de tanto esconder do mundo e de nós mesmas certos sentimentos e pensamentos -- naturais em qualquer ser humano -- vamos nos afastando das sensações mais legítimas. No entanto, ao reprimir uma parte nossa, de algum modo isso fica registrado em nosso corpo e em nossa memória. “Tudo aquilo a que resistimos, persiste”, afirma o terapeuta Maurício Bastos, do Espaço Integração, em Cotia, São Paulo, que desenvolve um trabalho baseado na técnica do Renascimento. Com isso, começamos a criar padrões de comportamento, ou seja, a dar as mesmas respostas sempre que uma situação parecida acontece.

Segundo Khalis Chacel, fundador do Instituto de Renascimento de São Paulo, juntamente com sua mulher, Tárika Lima, o estabelecimento de padrões de comportamento automatizados pode ocorrer basicamente de duas formas: ou passamos por uma experiência muito intensa, uma espécie de trauma, ou vivenciamos, repetidas vezes, uma situação semelhante, que também deixa seu registro e, nos dois casos, suprimimos ou rejeitamos sentimentos, emoções ou pensamentos ligados àquele fato. É por meio desse mecanismo que uma vítima de acidente de trânsito na adolescência, por exemplo, pode passar o resto da vida sofrendo tensão corporal todas as vezes que entra em um carro. Ou ainda: uma mulher pode se sabotar sempre que vislumbra a possibilidade de uma relação amorosa dar certo, pois mantém a crença de que logo será abandonada, tendo por base seus primeiros relacionamentos.

Independentemente de os padrões serem positivos ou negativos, eles nos dizem que estamos usando referências antigas para viver uma situação que, se olharmos bem, é completamente nova. Afinal, este momento, aqui e agora, nunca aconteceu antes em toda a nossa existência.

Mudança essencial

Por mais incrível que possa parecer, segundo Chacel, o modo como absorvemos o ar está diretamente relacionado à maneira como buscamos novas conquistas na vida; fala de nosso entusiasmo diante do novo e de quanta disposição temos para alcançar um objetivo. Por outro lado, o processo inverso revela nossa capacidade de nos entregar, de desfrutar o que conquistamos, de relaxar e confiar. “Pessoas com dificuldade de conseguir o que desejam, de se virar no mundo ou que acham a vida pesada normalmente têm a inspiração prejudicada. Já aquelas que se sentem deslocadas, tímidas ou tensas, ou ainda as que se julgam culpadas por terem o que têm podem apresentar dificuldades com a expiração”, afirma.

Bastos acrescenta que “à medida que oxigenamos conscientemente nosso corpo e, principalmente, nosso cérebro, vamos alterando as sinapses, ou seja, as comunicações entre os neurônios, que tinham um padrão repetitivo e condicionado e passam a fazer novas conexões. Assim, podemos desenvolver uma habilidade mais criativa no modo como vivemos, uma permissão para o novo, um não reagir contra e, sim, um acolhimento ao que está acontecendo agora”.

A boa notícia é que a sugestão do especialista pode ser colocada em prática graças à técnica conhecida como Renascimento. “Mais do que rotular os clientes de acordo com seus padrões respiratórios, procuramos auxiliá-los a sair do estado de contração para o de expansão, por meio de uma inspiração mais ampla e de uma expiração mais relaxada”, diz Chacel. “Essa alteração nos proporciona prazer, bemestar, vitalidade e confiança para continuarmos o processo de desenvolvimento pessoal.”

Na realidade, o Renascimento nos ajuda a recuperar nosso estado natural, com uma respiração solta, fluida e sem tensões. “Crianças bem pequenas e mesmo animais que não tenham sofrido traumas são livres, expansivos. Só nós estamos aqui nos preocupando com tantas coisas”, afirma Chacel.

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